Em algum lugar, brilhe
No Reino Unido, dois projetos da OM constroem amizades com mulheres muçulmanas isoladas, abrindo portas para o evangelho e para pequenos grupos de estudo bíblico.
A empolgação cresce no Flourish*, o mais novo trabalho de alcance da OM no Reino Unido, dedicado a servir mulheres refugiadas que vivem em isolamento. Com os olhos brilhando, Wajiha* joga os dados. Ao tirar um “seis”, quase arranca de minhas mãos o presente do passa-o-pacote, libertando uma barra de chocolate de mais uma camada de papel, enquanto as outras mulheres riem junto com a equipe da OM, cada uma aguardando ansiosamente a sua vez. Mais tarde, Wajiha brilha novamente quando nos deliciamos com as comidas do Oriente Médio que ela preparou: pãezinhos polvilhados com canela, pequenos biscoitos cobertos de chocolate e salpicados com amêndoas picadas, e um bolo de semolina chamado basbousa.
Abby*, líder do projeto da OM, e suas três colegas desejam fortalecer a confiança e a autoestima dessas mulheres. O salão da igreja alugado pela OM oferece um espaço seguro para isso; nesse bairro carente e pós-industrial, túnicas longas e hijabs raramente recebem olhares acolhedores. Até 15 mulheres, em sua maioria muçulmanas, participam desses encontros semanais, cientes de que são conduzidos por cristãos e recheados de atividades leves e conversas. O projeto foi lançado em março de 2025, após a obtenção de um ano de financiamento do conselho local; as participantes chegam por indicação de uma iniciativa parceira da OM para refugiados, de serviços públicos como o “encaminhamento social” de médicos de família, ou pelo boca a boca.
A necessidade de apoio local
Após anos servindo entre muçulmanos, a equipe entende que relacionamentos de confiança precisam ser construídos passo a passo para que haja um compartilhamento significativo do evangelho. O ambiente em grupo pode inibir questionamentos espirituais — as mulheres precisam confiar não apenas na equipe da OM, mas também umas nas outras. Demonstrações mais profundas de interesse por Jesus tendem a acontecer em visitas domiciliares, que são desafiadoras em termos de tempo para uma equipe pequena e com muitos compromissos. “Oramos para encontrar voluntárias maduras entre as igrejas locais, com um verdadeiro coração por muçulmanos e refugiados”, diz Abby. Parcerias assim possibilitariam visitas regulares a mulheres como Wajiha e enraizariam o Flourish na comunidade cristã local.
Cuidado a longo prazo e criatividade
Em outra área urbana carente, com maioria muçulmana formada por migrantes estabelecidos do sul da Ásia, o Welcome Place Hub* (WPH) funciona em um antigo conjunto de lojas. Esse espaço já consolidado oferece acolhimento espontâneo, orientação, defesa de direitos e uma programação semanal voltada a atender as necessidades da comunidade local. Em parceria com igrejas e outras organizações, a OM tem ajudado a liderar e manter o WPH desde 2013.
Os relacionamentos realmente levaram anos para se aprofundar — somente em 2024 Louise*, atual co-líder da OM, iniciou um grupo de estudo bíblico. As mulheres interessadas permanecem de forma discreta após a saída das demais participantes da atividade comunitária anterior.
Zamda*, na casa dos 40 anos, é uma “aluna” típica — vem de um grupo etnicamente conservador da Ásia Central, quase não frequentou a escola, é analfabeta em sua própria língua e fala pouco inglês. A solução de Louise foi usar pequenos trechos do evangelho em formato de vídeo, dublados na língua do coração das mulheres por meio do Lumo Project Films. “As mulheres se sentem surpreendentemente confortáveis com atores representando os ‘profetas’ e adoram os cenários autênticos”, observa Louise. O mesmo trecho é exibido em urdu ou em inglês em salas separadas, conduzidas por outras líderes.
Enfrentando diferenças doutrinárias
Avançando no Evangelho de Lucas, o grupo chegou à Páscoa, o que pode provocar a afirmação islâmica de que Jesus não morreu na cruz. No entanto, o encontro de hoje — quando as discípulas descobrem o túmulo vazio — transcorreu sem maiores dificuldades, apesar da presença inesperada de Tasneem*, ex-professora de estudos islâmicos no Paquistão, cujo bebê chorou alto exatamente quando Louise iniciou o vídeo. “E normalmente acontecem problemas técnicos, como o som que não funciona sem explicação. Pequenos lembretes de que estamos em uma batalha espiritual”, comenta Louise. Mais tarde, enquanto Rachel*, auxiliar da aula de costura, é presenteada com um delicioso almoço de samosas e arroz doce por suas seis alunas, Louise e Kim*, professora de inglês, compartilham o peso e o amor que carregam pelas mulheres muçulmanas.
Unindo corações, fortalecendo vidas
“É muito incomum que mulheres muçulmanas tenham acesso a um espaço separado da rotina diária, onde ‘ocidentais brancos’ realmente as acolham — e também a seus filhos”, diz Louise. “Elas se sentem vistas e ouvidas, e oferecemos oportunidades de conexão profunda para quem desejar, como no caso de Najma*, uma muçulmana extremamente ortodoxa. Ela encontrou o WPH durante uma depressão pós-parto e diz que este lugar mudou sua vida e a salvou.” Louise continua: “Trata-se de unir pessoas de diferentes origens, derrubar barreiras e construir pontes. Mas não é um espaço neutro: passei a enxergar o WPH como um ‘espaço sagrado cheio da presença de Cristo’.”
Kim ensina alfabetização básica a mulheres como Zamda. Um pequeno grupo participa fielmente, mesmo precisando conciliar muitas responsabilidades domésticas, o que exige cooperação e permissão da família. “Aqui elas são livres — apenas um grupo de mulheres se divertindo juntas”, diz Kim. “O islamismo pode ser muito opressor para as mulheres, então elas abraçam essa ‘diferença’ do WPH. Tudo aqui é feito para empoderá-las.”
Kim conclui: “Atender às necessidades práticas é importante, mas tudo gira em torno de relacionamento e de apontá-las para Jesus — um resultado integral e eterno.”
Ore por esses projetos e pelas mulheres que eles atendem — e pergunte-se: você ou sua igreja podem abençoar pessoas muçulmanas exatamente onde estão?
*nomes alterados


