A fé desafia o medo

Antes apaixonado por compartilhar o Alcorão, Yacouba hoje vive para espalhar as boas-novas de Cristo.

O islamismo domina o país do Níger, com mais de 97% da população seguindo essa fé, e o número de grupos muçulmanos rigorosos ou agressivos tem aumentado.

O número de pessoas que seguem a Cristo também cresce, mas há grande pressão para permanecer — ou retornar — ao islamismo. Novos convertidos frequentemente se sentem isolados. Ainda assim, apesar das dificuldades e desafios, há muitas histórias encorajadoras vindas do Níger.

Yacouba*, que atua com a OM na África, foi muçulmano e dedicava grande parte do seu tempo a tentar convencer outras pessoas a se converterem ao islamismo.

“Eu costumava ser um muçulmano fervoroso. Antes de conhecer Cristo, eu queria que todos se tornassem muçulmanos”, contou. “Quando comecei a falar sobre Jesus, pensei que faria tudo pela minha própria força e pela minha mente.

“Hoje eu percebo que não posso mais usar a minha força nem a minha capacidade intelectual para fazer as coisas. Eu dependo do poder do Espírito Santo e do conhecimento da Palavra de Deus. Por isso sigo o método de Jesus Cristo: viver com os discípulos, ensiná-los, mostrar como orar, como depender do Espírito Santo e da Palavra de Deus para avançar. É por isso que agora acredito em investir tudo o que sei nos jovens, porque acredito que o futuro começa agora, se tivermos os jovens conosco.”

Mais importante que o medo

Yacouba compartilha que seguir a Cristo no Níger significa viver com medo todos os dias, mas afirma ter aprendido que há coisas mais importantes do que o próprio medo.

“Um dos líderes religiosos islâmicos do meu país, quando soube que eu estava viajando 1.400 quilômetros para ensinar, me perguntou: ‘Yacouba, você não tem medo de voltar?’ Eu respondi: ‘Há dez anos, eu teria medo e ficaria em casa. Hoje, não tenho medo, porque sei que existem muitos outros como eu espalhados pelo país.’”

Parte do crescimento no número de discípulos no país se deve à ênfase na multiplicação, incentivada por Yacouba e outros cristãos:

“Dissemos: se treinarmos 12 discípulos em dois anos e cada um deles fizer outros 12 discípulos, teremos 144 ao final de dois anos. Se acrescentarmos mais dois anos, serão mais de mil discípulos. O mesmo acontece com as igrejas.

“O maior desafio é sair da mentalidade da igreja tradicional, que se preocupa apenas em cuidar dos membros dentro da igreja, para levar todos, cada membro, para fora, a fim de trabalhar pelo Reino de Deus. Um novo convertido, em apenas seis meses, pode se tornar um fazedor de discípulos. Alguns poucos discípulos em uma aldeia podem transformar a vida de toda a comunidade.

“Alguns pensam que isso é um tipo de milagre, mas estamos tentando mostrar que o nosso objetivo é garantir que todos saibam que Jesus usa pessoas comuns para fazer coisas extraordinárias — pessoas que transformam a vida de outras e afastam as trevas.

“Apesar do que se ouve por aí, o país ainda está aberto. Muitos muçulmanos estão cansados do islamismo. As oportunidades existem, especialmente para aqueles que têm habilidades profissionais: agricultura, ensino, qualquer atividade prática. Nesta parte da África, pregamos mais com a nossa vida do que com as nossas palavras. É possível fazer discípulos tendo uma marcenaria ou sendo mecânico; você pode formar um discípulo que, por sua vez, alcançará outros.”

Um escape milagroso

Yacouba tem muitas histórias do que Deus fez por ele e através dele ao longo dos anos, incluindo o livramento milagroso de um imã que se converteu a Cristo.

“Ele morava dentro de uma grande mesquita, em uma região onde o Boko Haram está por toda parte”, contou. “Esse imã entregou sua vida a Cristo, e a associação descobriu. Ele e sua família ficaram com medo de perder a vida.

“Quando surge qualquer problema, eu vou a Deus, e Ele me ajuda. Eu precisava tirar esse imã daquela região, mas não havia como: eu não tinha plano, dinheiro, nada. Mas o Senhor providenciou rapidamente uma solução.

“Naquela noite, depois de um tempo de oração, precisei encontrar uma forma de chegar até essas pessoas, que estavam a 1.600 quilômetros de distância de onde eu estava. Foi somente a sabedoria de Deus que me ajudou a salvar a vida dessas pessoas, removendo-as daquele lugar. Hoje, esses líderes são discípulos e estão prestes a se tornar multiplicadores de discípulos.

“Sabemos que as dificuldades virão. Sabemos que o nosso Deus está vivo e cremos, mesmo que Ele não tivesse intervindo. Sabemos que Jesus morreu por todos os muçulmanos e até por aqueles que causam dificuldades por causa do reino das trevas. Sabemos que a luz veio às trevas, e o poder das trevas jamais prevalecerá.”

Ore para que o Senhor remova todas as barreiras ao conhecimento dEle. Os efeitos espirituais do islamismo popular e da opressão demoníaca no Níger impedem muitos de seguir a Cristo. Ore por aqueles que, vindo de um contexto muçulmano, escolheram seguir Jesus, para que perseverem e permaneçam fiéis em meio a todas as dificuldades que enfrentarão.

Yacouba pede oração também pelos países vizinhos: Chade, Líbia, Tunísia, Argélia, Mauritânia, Mali e Senegal. Ore para que Deus se revele aos muçulmanos que vivem nessa região e para que uma transformação espiritual varra todo esse território.

*nome alterado

Lucie

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